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Super produção de lixo no Japão e as medalhas recicladas das Olimpíadas 2020

O Lixo no Japão é um problema relativamente diferente do que temos no Brasil. Embora seja parecido, da lixeira para frente o caminho precisa ser distinto pois aquele populoso país, formado por ilhas montanhosas, tem peculiaridades que nós não temos, principalmente maior geração de resíduos por pessoa e pouco espaço para enterrá-lo.

Para entender melhor qual o significado ambiental da ação do Comitê Olímpico Japonês precisamos informações mais detalhadas. Numa rápida pesquisa na internet descobre-se que para se retirar 1 grama de ouro são necessários de 34 a 41 celulares. Serão usados de 340.000 a 410.000 celulares para se obter os 10 kg de ouro necessários, já que as medalhas são apenas banhadas a ouro e não maciças. Para as de bronze usarão 736 kg o que equivale a 57 mil celulares, pois cada um tem cerca de 12,7 g do metal. Mas precisam de 1230 kg de prata e como cada celular apenas 26 gramas a demanda é de mais de 4 milhões e 700 mil celulares. Já que o mercado de celulares no Japão é de uns 38 milhões de aparelhos por ano a iniciativa só dará conta de pouco mais de 10% dos aparelhos antigos e apenas pela necessidade da prata.

É fundamental termos senso crítico apurado com relação a tudo de meio ambiente que vem de fora do país. A iniciativa é louvável, mas de importância pontual e apenas para o evento olímpico. A extração de metais nobres de aparelhos eletrônicos usados ainda usa uma tecnologia cara e muitos empresários desistiram dela mundo afora por não conseguirem obter lucro. E o que tem de concreto é um garimpo urbano, com a reciclagem do e-lixo sendo feita por pequenas empresas em países de terceiro mundo com mão de obra muito barata, o que prejudica a saúde dos trabalhadores e contamina o meio ambiente. Ou seja, não serve como exemplo a ser seguido pois a prática ainda é economicamente inviável, socialmente injusta e ambientalmente questionável.

Some-se a isso tudo o fato de que a sociedade japonesa é bastante consumista, geram em média 70% mais lixo por dia que os brasileiros. Atacar o consumismo deveria ser prioridade, mas eles apenas melhoram a forma de tratar os muitos resíduos que geram. Custa caro, o povo é apenas adestrado para a limpeza e não educado para o consumo responsável e sua gestão de resíduos é pautada em multas, altos investimentos em tratamento de resíduos e pouco estímulo à consciência.

Detalhe: apesar de reciclar muito o Japão ainda incinera 80% do seu lixo. E geram poluição com isso! Claro que eles seguem aperfeiçoando para reduzir as emissões, mas mesmo com poluição zero esse é um modelo péssimo na minha opinião. Caro, complexo e que desmonta a necessidade de consumir com responsabilidade. Basta separar corretamente.

É como a velha prática de Barcelona… Sumindo com o lixo, sumiu o problema…

Saiba mais:

O (mau) exemplo europeu e a coleta de lixo em Barcelona

França proíbe descartáveis. Mas e a educação ambiental?

Reciclar é importante, mas reduzir o lixo é muito mais!

Trashed – Para Onde Vai Nosso Lixo


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