Ilha das Flores: o filme, a polêmica e os catadores

Lançado em 1989 e alçado à condição de obrigatório em muitas iniciativas de educação ambiental o filme/documentário de Jorge Furtado também é polêmico na forma como retratou as pessoas que vivem na Ilha que serviu de cenário para sua obra.

Assista abaixo ao vídeo em boa resolução. E, em seguida, veja a matéria jornalística do Editorial J com a polêmica sobre o filme, o autor e a forma como a sociedade trata muitas pessoas.

Ilha das Flores: o filme que é um documentário (ou não!):

A polêmica retratada pelo Editorial J:

Fato é que, desde antes de 1989 e até hoje, qualquer um que lide com o lixo, seja reciclável, orgânico, tóxico ou não, está sujeito a ser alijado do pleno convívio social.

A polêmica levantada pelo segundo vídeo só seria visível se um tal diretor fizesse a obra que expõe essa verdade nua e crua. Mesmo que seja através de uma obra de ficção, porém usando atores mais genuínos, cresce uma polêmica porque onde falta saneamento básico, emprego, saúde, educação e segurança, sobra poluição, pobreza, estresse e, claro, motivos para rancor e brigas.

É espantoso, porém nada surpreendente que se queira eleger um ‘culpado’ por problemas causados à população do local ultra carente de tudo. Problemas bem menores que os que afligem as pessoas por conta do descaso de políticos, empresários, justiça e da sociedade em geral. Aquele pessoal não está na pior por causa do filme/ficção/documentário do Jorge Furtado… A culpa é nossa que os ignoramos contanto que não nos incomodem.

O mesmo vale para os profissionais da reciclagem, também conhecidos como catadores. Organizados em cooperativas ou não, eles prestam um serviço público essencial e nunca são pagos por isso. Apenas a venda do material reciclável coletado nas ruas ou doado por condomínios e empresas não garante a sua sustentabilidade financeira. Não é preciso ser um especialista para perceber ou entender esse fato que é uma das maiores injustiças sociais urbanas de nosso País.

Precisamos parar de apontar o dedo aos ‘culpados’ pela mazelas sociais e fazer algo de concreto para os que são necessitados, mas não esperam por assistencialismo/esmola e trabalham duro na triagem e valorização dos recicláveis. Pratique justiça social e responsabilidade ambiental: procure uma cooperativa e pague pelo serviço de coleta seletiva. É um investimento na sociedade em que você vive.

Veja aqui onde encontrar a cooperativa mais próxima em todo o Brasil: Pontos de Reciclagem.

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