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Recuperação de prata a partir de radiografias

As radiografias são um problema ambiental, mas podem ser transformadas em solução com a técnica estudada pelo CEFET  – Nilópolis/RJ.

Seguindo sua linha de suprir a demanda por informações no campo da reciclagem e reaproveitamento dos mais diversos materiais, na utilização racional dos recursos naturais e na divulgação de técnicas inovadoras, a Recicloteca traz desta vez a recuperação da prata presente em radiografias. O texto teve como base o material do projeto montado dentro do CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológica de Química de Nilópolis – Unidade de Nilópolis, RJ, para apresentação na VI SEMATEC, em 2000.

Estamos, como sempre, abertos para receber conteúdo informativo, descrição de projetos, trabalhos, relatos de experiências. Tais materiais passarão a fazer parte do acervo e poderão se transformar em uma matéria deste informativo e/ou do sítio virtual. Envie sua idéia!

Recuperação da prata de radiografias

Um dos metais mais populares de nossa civilização, a prata (e suas ligas) tem sido utilizada em jóias, talheres, espelhos, objetos decorativos e etc. Está presente também nas fotografias branco e preto e nas radiografias, sendo nesses últimos, considerados como fontes secundárias de prata de grande interesse comercial por ser uma atividade lucrativa e constituir matéria-prima sem custo.
Estima-se, em média, que a prata potencialmente recuperável de negativos de filmes preto e branco é de cerca 0,5g/m2 ao passo que esse número pode aumentar 10 vezes para radiografias.
Algumas técnicas vêm sendo estudadas e desenvolvidas para recuperação de prata a partir de filmes, de resíduos de laboratório e outros materiais. Porém muitas destas técnicas, apesar de serem eficientes na recuperação do metal, criam resíduos extremamente tóxicos (como os cianetos) que são lançados no ambiente ou apresentam grande gasto de energia elétrica.

Para recuperação de prata a partir de radiografias, devem ser considerados os seguintes aspectos, em igual relevância:

. simplicidade na execução
. menor quantidade de reagentes
. baixo custo dos reagentes
. geração de menor quantidade de resíduos
. geração de resíduos menos tóxicos
. bom rendimento
. potencialidade na recuperação/tratamento dos resíduos

Seguindo o objetivo de se extrair a prata da radiografia por um processo barato sem a geração de resíduos químicos perigosos, a equipe do CEFET desenvolveu o processo que consiste nas seguintes etapas:

1) Tratamento da radiografia com uma solução de hipoclorito de sódio 2,0% (água sanitária) sendo gerados:
· um resíduo sólido que contém a prata sob a forma de vários compostos químicos;
· películas radiográficas “limpas”.
2) Em seguida o resíduo sólido é tratado com hidróxido de sódio sólido em água por aquecimento durante 15 minutos. Nesta fase obtém-se o óxido de prata misturado a impurezas.
3) Faz-se o aquecimento do óxido de prata com uma solução de sacarose por 60 minutos obtendo-se a prata impura sólida que ainda não apresenta brilho.
4) Finalmente é feito o aquecimento da prata a 1.000ºC por 60 minutos numa mufla (um tipo de estufa) e obtém-se a prata pura e com brilho.

radiografias
Apesar da quantidade de prata nas radiografias variar muito em função das chapas escolhidas,
são obtidos cerca de 2 gramas de prata com 98,50% de pureza para cada m2 de radiografia.

Reaproveitamento das películas de radiografias ‘limpas’

Quanto às películas radiográficas que não contenham mais a prata, foram pesquisados possíveis usos principalmente em trabalhos artísticos onde adaptou-se uma antiga técnica de confecção de matrizes de impressão, tradicionalmente confeccionadas em metal e pedra – a xilogravura. A película radiográfica pode ser trabalhada sob três formas:
– de ponta-seca, onde o desenho surge através de arranhões sobre a película, que, após ser entintada é prensada contra uma folha de papel, para onde a imagem é transferida;
– através de recorte, onde a película é recortada, entintada com um rolinho de borracha e impressa como no processo anterior;
– pintando a película com tinta gráfica, que é impressa sendo utilizada somente uma vez (monotipia).

CEFET Campus Nilópolis (atual Sede):

Rua Lúcio Tavares no 1.045, Centro, Nilópolis, RJ, CEP: 26.530-060.

Tel.: 21- 2691-9800(geral)

Fax: 21- 2691-1811

Equipe do projeto:

Professores: Andréa de Moraes Silva (Coordenadora) , Ismárcia Gonçalves da Silva; Carlos Alberto Barbosa; Solange de Sousa Vergnano.
Alunos: Iva Oliveira Tavares; Fábio dos Santos Cleto; Roberto da Silva Victório; Fernando Cezar de Magalhães; Leandro Silva Figueiredo; Laís da Silva Gomes; Fabiano Marques Dias.

Principais referências bibliográficas:

KUYA, M. K. Química Nova. v.5, 16, p. 474-476, 1993.

NECHAMKIN, H.; DUMAS, P.E. J. Chem. Educ. 53, 370, 1976.

Este texto está protegido por uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional
Link para atribuição de créditos: http://www.recicloteca.org.br/?post_type=projeto&p=37

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