Escolas sustentáveis

por Claudia Khair

Você já ouviu falar em “Escolas sustentáveis”? Este é um conceito recente, que busca trazer as práticas sustentáveis para dentro das escolas, de forma participativa e permanente, visando formar cidadãos mais conscientes.

O Ministério da Educação lançou em 2013 o Programa Escolas Sustentáveis, incentivando ações voltadas à melhoria da qualidade de ensino e à promoção da sustentabilidade socioambiental nas escolas públicas de educação básica.

Envolvimento e participação

À medida que as diversas questões ambientais vão sendo abordadas em sala de aula, professores mostram como os problemas estão presentes no dia a dia da escola e da comunidade ao seu redor. Os alunos debatem sobre as causas, e ideias e sugestões vão surgindo. Os professores orientam o processo, até que algumas soluções sejam implementadas. O resultado é a redução dos impactos no meio ambiente.

Escolas sustentáveis

O envolvimento dos alunos desde o início do processo é muito importante, pois gera conscientização e mudanças de atitude que são incorporadas ao cotidiano e até ultrapassam os limites da escola. É comum descobrir que as famílias se envolvem nas soluções, participando também.

 

Caminhos criativos

Os problemas levantados pelos professores são conhecidos: lixo, água, energia e consumo consciente. Cada professor segue uma ordem de acordo com as características  e urgências de cada escola.

A professora Caroline Porto, da FAETEC, explica que certas ações de educação ambiental ajudam muito a expor os temas em sala de aula. Ela cita, por exemplo, a questão do lixo jogado no chão. A cada dois anos, eles adotam uma “terapia de choque” na escola, para chamar a atenção dos alunos para o problema. Durante 5 dias, os funcionários da limpeza fazem suas atividades normalmente, exceto pela varrição do chão.

Segundo Caroline, o resultado é notado rapidamente, e os primeiros comentários surgem em seguida. Os alunos comumente concluem que os funcionários da limpeza estão faltando ao trabalho, ou que estão fazendo corpo mole. É neste momento que entram em cena os questionamentos da professora, que aproveita este gancho para explicar que antes de ser recolhido pelo funcionário da limpeza, o lixo foi jogado no chão por alguém, e isso foi a origem do problema.

Essa campanha sempre alcança resultados e o lixo jogado no chão é sensivelmente reduzido. No entanto, como há alunos que se formam, outros que saem da escola e novos alunos chegando, é preciso estar constantemente refazendo as campanhas educativas. Desta forma, formarão adultos que não jogarão lixo no chão da rua.

 

E o lixo orgânico?

O lixo orgânico (lixo úmido) representa cerca de 50% do resíduo típico brasileiro (IPEA, 2012). O descarte de orgânicos configura um problema ambiental, pois é, na maior parte das vezes, descartado incorretamente, atraindo vetores e animais, como moscas, baratas, ratos e urubus.

Assim, as escolas sustentáveis têm papel importante na divulgação de práticas como a compostagem. Os alunos aprendem o que é lixo orgânico, quais as consequências do destino incorreto deste resíduo, como separá-lo em casa e reciclá-lo através do processo de compostagem. O projeto pode ser desenvolvido na própria escola, em casa ou através de parcerias com empresas que fazem compostagem em larga escala. Há escolas que utilizam os resíduos orgânicos de suas cozinhas e refeitórios também.

 

Planeta Água

Outra vertente trabalhada pelos professores é bem contemporânea: a crise hídrica. Uma das soluções que pode ser implementada com sucesso é chamada de minicisterna, responsável pela captação de água da chuva. A água recolhida de graça não é potável, mas pode ser utilizada para regar os jardins da escola, reduzindo custos e colaborando com o meio ambiente.

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Óleo usado = aula!

O óleo de cozinha usado pode ser reciclado. A partir dele, pode-se fabricar por exemplo, sabão caseiro.

Na Escola Técnica Estadual (ETE) Juscelino Kubitscheck, em Jardim América, os próprios alunos desenvolveram um projeto que recolhe óleo de cozinha usado na comunidade e reverte o dinheiro da venda em aulas de um curso técnico preparatório para os alunos da escola municipal vizinha. O projeto é contínuo, e a iniciativa foi premiada em dez/2015.

Outras práticas simples e conhecidas podem ser adotadas na sua escola como, por exemplo, a coleta seletiva.

No Brasil, já temos algumas escolas sustentáveis. Um exemplo de sucesso é o Colégio Estadual Erich Walter Heine, no Rio de Janeiro. Esta escola possui algumas vantagens por ter sido construída dentro do conceito de sustentabilidade. A climatização ambientalmente correta, por exemplo, captando a ventilação e a luminosidade naturais, permite preservar o ambiente e gerar economia. Além disso, a escola tem sistemas de captação de chuva, painéis solares, telhado verde e coleta seletiva. A mobilidade também foi considerada, e os alunos contam com acessos para cadeirantes e bicicletário.

Se quiser saber mais sobre como projetar Escolas Sustentáveis, clique aqui.

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