Falar sobre coleta seletiva hoje já se tornou algo corriqueiro. Todos sabem do que se trata e já é comum as pessoas saberem quais materiais são recicláveis e buscarem informações sobre o local para destiná-los. Entretanto, no Brasil, esta história ainda é recente.
A iniciativa pioneira neste assunto começou há 25 anos no bairro de São Francisco, Niterói, cidade da Região metropolitana do Rio de Janeiro. O professor Emilio Eigenheer da Universidade Federal Fluminense (UFF) iniciou seus trabalhos no Centro Comunitário de São Francisco (CCSF) em abril de 1985 em uma parceria com a própria UFF, que perdura até os dias de hoje. Além desta, o programa conta também com a apoio da AmBev.
Ao longo da sua história, o CCSF, que se tornou um modelo para implantação da coleta seletiva em várias cidades do país, já coletou cerca de seis mil toneladas de materiais. Mensalmente, os seis trabalhadores do CCSF recolhem e fazem a triagem de 25 a 30 toneladas de recicláveis de 1.200 a 1.400 residências dos bairros de São Francisco e Charitas. Nestes bairros a coleta seletiva acontece de segunda à sexta com roteiro pré-determinado.
Mas o professor Emílio ressalta que a experiência conduzida por ele não visa o volume. A meta é ser um laboratório de experiências que possam ser estudadas, melhoradas e replicadas para outros lugares do país. Por isso mesmo, o CCSF atrai não apenas estudantes da própria UFF como de outros países que vem conhecer a iniciativa, gerando produção acadêmica em torno dos temas resíduos sólidos, coleta seletiva e reciclagem.
Eigenheer destaca a quantidade de materiais de cunho cultural que são descartados pela população como documentos, livros, revistas, fotografias e mapas. Ao longo dos anos já encontrou títulos dos séculos XVI e XVII. Hoje mesmo (14/04/2010), separou três livros de 1840 do autor francês Alexandre Dumas. Documentos com valor histórico cultural são destinados ao Centro de Memória Fluminense, em Niterói. Até hoje já foram doados três mil títulos a esta instituição. Outros livros são vendidos a sebos e os materiais sem valor cultural ou de mercado, são destinados à reciclagem de papel.
Pra participar da coleta seletiva ou obter mais informações sobre os trabalhos do CCSF é preciso entrar em contato através do telefone (21) 2714-1141 (secretária eletrônica ou sinal de fax) ou pelo e-mail ccsf@vm.uff.br.
Visite o site do Centro Comunitário de São Francisco (CCSF)
Conheça o Centro de Memória Fluminense
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Parabéns pelo texto, muito esclarecedor. Quando saberemos um pouco mais sobre isso? Acho que o povo Brasileiro deveria dar mais valor a isto. Forte abraço!